Relógio parado
Maçã distraída
Despedaça aos dentes
Do pecado sem perigo
Tripula o tempo, transita
Potência decola sementes
Terra pouso abrigo
O que medra morre
Ao medrar escorre
Ao correr decorre
O trigo que intriga
E cala a boca rama
Que vaia Roma
Contrario engole amor
E o silêncio devora as transgenias
Ávida nua se desola
Faz a maça de bola
E degola
O branco balão do pensamento
segunda-feira, 8 de abril de 2019
Branco Balão
Saudade rima com idade
No inferno astral
Vcs me penetram como lança de caboclo
Me sinto gente ausente
Na liberdade do bloco
Na voz perdida da farra
Na mão no microfone
Na boca no trombone
Na letra do karokê
Penso num sítio grande
Unindo as crias
Gente junta
Ouvindo a palavra tio e tia
Sabendo que família é essa verdade solta
Na natureza ausente
Na distância do time
Jeito que reprime
Coração que mente
Um coro impertinente
Me pede que rime
Reprimo a tristeza
Não é ela que espero
Meu corpo pede os olhos incondicionais da amizade
quarta-feira, 3 de maio de 2017
Página
Medo de te tocar, tocar com caneta no tempo. Planejar e descrever o criativo. Medo daquilo que salta. Sal das letras carregadas de imagens, sentidos, medos. Medo dos desejos; dos medos que são profecias nos versos, na página. Mas não é calar o templo irresoluto, o grito que existe latente. Coisa que não se ignora.
2016, vitória
quarta-feira, 24 de agosto de 2016
Soneto do gesto viajante
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
sei o que
sábado, 16 de agosto de 2014
chave
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
errante
me empurra a rôla
tudo o que rola
me emburra
emburrada me enraba
o jumento
e não acaba
transa sem acabamento
parando no andamento
adia adiamento
adiantado
no cabo me acabo
não dá cabo de se acabar
acaba à disseminar
e fica entregue
o jegue
sem cabresto nem cabimento
restrito o sortimento
e dentro tudo à embolar
penso que pensa outra
e o pensamento me tira
de onde devia estar
terça-feira, 29 de julho de 2014
fenix
desenlaça a dança
calma e respiro
tecendo amor da sina
José nascido, Félix velho
de cento e dez anos
avô da lua
menina sem nome
com nome deles
eu renascendo interna
respirando as águas
o que me aconselha o espírito
clamor inocente
deixe de seus arrudeios
me arrudeie as curvas
latejam as vulvas
todas vulvas
na penugem das luvas
das chuvas das noivas
parceiro, aceito
teu direito e território
pau santo no oratório
devoto
devo devorar com ganas
os músculos da semana
conduzidos na pressão
dispensar mente
aguar semente
perdoar serpente
sem condição
parceiro, amarrado rabo
montando com segurança
e sem pressa
tua presa na minha nuca
presa selvagem confusa
tragada entrega
trégua
era vidro
mas a tarraxa se perdeu no chão
desfez-se o elo do brinco
a orelha lisa canta o buraco livre
a orelha sem o pino de ferro
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
*) entre mar e lua
sou esse farol atravessado
entre a mutante lua
e a marina nua.
água bravia movida.
sou essa luz humana
conduzida, com sentido de porto,
busca, barca, balça, jangada.
alma embalada,
conduzida.
sou esse entre, luz menos que a lua,
mas quando se põe escondida
sou arranjo de luz nascente
à terra obscurecida.
entre as duas, sou esse ponto vago
e fixo. farol claro de encontro
da noite com o chegar.
do barco de embarcar.
na casa da mãe de arreia
graça, canção e sereia;
aquela que vem do mar.
domingo, 11 de agosto de 2013
al eu
no correr da luta.
sábado, 27 de julho de 2013
# divergente diversa
domingo, 16 de junho de 2013
rês suscita
com todo viva da gente
feito ser onipresente
deus humano e renascido
Consciente agradecido
luar reluz de repente
mês de junho referente
do milho melhor nutrido
Que seja semente rara
plantada na terra cara
abundante de amor
Que cresça com tao cuidado
pelo céu abençoado
grato lótus refrator
Que se enxergue essa luz
branca luz de toda cor
Observe o que conduz
e a que mares induz
o cuidado acolhedor
E sempre lembra, menino
do auto amor que se pede
do alto amor que se tem
Nunca te esquece, menino,
que a dor faz parte da graça
e sempre que rompe a casca
força infinita vem.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
cruz
com espada reluzente
vermelhar a terra quente
no caminho da igreja
quero matar o menino
ou qualquer cristão que seja
quero matar o menino
quero morrê-lo de dente
arrancá-lo do presente
enterrá-lo em minha fé
quero matá-lo e axé!
morre menino
morre menino me morre
sangra menino
sangra menino me sangra
gné da selva
20.11.12